Três horas e 21 minutos. Essa é a duração de 'O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei', um número que ainda hoje impressiona e que, em 2003, transformou a estreia do terceiro filme de Peter Jackson em um grande acontecimento. E a verdade é que ainda existe algo quase mágico nisso, porque, quando você está completamente imerso na Terra-média, suas mais de três horas passam voando.
Jackson precisava concluir as histórias de Frodo, Sam, Aragorn, Gandalf, Éowyn e dos demais personagens que nos acompanharam por dois filmes, além de dar um desfecho à guerra contra Sauron. E, nesse processo, nos presenteou com um sucesso de bilheteria colossal que combina batalhas monumentais com alguns dos momentos mais emocionantes de toda a trilogia.
'O Retorno do Rei' tinha um objetivo bastante complexo: encerrar uma das trilogias mais ambiciosas da história do cinema e responder praticamente a todas as perguntas que Peter Jackson vinha construindo desde 'A Sociedade do Anel'. E a verdade é que o filme consegue fazer isso sem abrir mão do caráter grandioso que marcou os dois filmes anteriores.
O filme começa com a ameaça de Sauron se aproximando cada vez mais, dividindo seus protagonistas em várias frentes: enquanto Frodo e Sam continuam sua perigosa jornada até Mordor, Aragorn precisa finalmente aceitar seu destino, e o restante da Sociedade se prepara para uma guerra aparentemente impossível de vencer. Há muitas histórias paralelas, mas Jackson consegue manter todas em movimento sem deixar o ritmo cair.
E depois há as batalhas. Poucos filmes transformaram uma sequência de batalha em um evento cinematográfico como 'O Retorno do Rei', da Batalha dos Campos de Pelennor ao confronto no Portão Negro. O exército de Mordor parece infinito, Minas Tirith se torna um palco monumental, e cada vitória nos deixa com a sensação de que pode ser a última. Mas a melhor parte é que Jackson usa todo esse espetáculo de uma maneira que faz com que nos importemos com o destino de cada personagem. É de tirar o fôlego ver o momento em que Éowyn confronta o Rei Bruxo, quando Sam carrega Frodo ou quando Aragorn chega com o exército dos mortos.
Também ajuda o fato de o filme alternar constantemente entre o grandioso e o íntimo. Depois de uma batalha de proporções colossais, podemos acompanhar uma conversa entre Frodo e Sam, uma despedida ou um silêncio eloquente. Essa é provavelmente uma das chaves para que suas mais de três horas de duração não se tornem cansativas, pois Jackson entende que não pode manter o espectador na ponta da cadeira o tempo inteiro e usa os momentos de calmaria para tornar a próxima explosão de ação ainda mais impactante.
E se há algo que faz com que 'O Retorno do Rei' ainda seja tão relevante tantos anos depois, é que não se limita a encerrar a história, mas leva suas consequências a sério. Vencer a guerra não significa que todos podem simplesmente voltar para casa como se nada tivesse acontecido. Frodo retorna mudado, Aragorn precisa começar uma nova vida, Sam encontra seu próprio futuro e a Sociedade do Anel acaba se desfazendo. Esse trecho final é justamente um dos seus maiores trunfos.
'O Retorno do Rei' é um dos melhores exemplos de como a duração de um filme importa muito menos quando se tem uma história para contar. Seus 201 minutos não parecem um teste de resistência, porque cada segmento leva ao próximo: a batalha, a jornada de Frodo, o retorno do rei, a destruição do Anel e, finalmente, as despedidas.
No Brasil, o filme está disponível no streaming através do Disney+. Você pode precisar reservar uma tarde inteira para assisti-lo novamente, mas, uma vez que você entra na Terra-média, é difícil imaginar fazer qualquer outra coisa.